A Árvore e a Coruja


A Coruja encontrou um bom lugar para descansar no galho mais resistente de uma Árvore. Antes disso, a majestosa planta estranhava a ausência de visitantes naquela tarde de outono, já que nada além de insetos haviam percorrido suas grandes folhas amareladas.

– Estou desapontado. – Queixou-se a Coruja.

– E eu digo o mesmo, meu amigo. – Respondeu a Árvore.

– Não há o que comer. Não há esconderijo bom o bastante. E cada vez encontro menos refúgios como este galho. – A ave lamentou.

– Minhas raízes se formaram aqui há muitas estações, pode confiar em minha segurança. – Disse a Árvore, deixando que seus galhos balançassem com a chegada de uma brisa.

– Por pouco tempo, ouso dizer.

– Então me responda, coruja viajante – A Árvore falava num tom mais questionador – O que acha que deveria ser feito para que minha copa lhe garantisse a proteção que tanto precisa?

– Devíamos abolir os machados que destroem a madeira. – Respondeu a Coruja de imediato.

– E quanto aos lenhadores? Não são eles os verdadeiros culpados? – Disse a Árvore.

– Então que sejam abolidos os lenhadores.

– Mas máquinas viriam em seus lugares.

– Então o que você a senhora sugere? – Disse a ave num tom impaciente.

– Devíamos abolir a humanidade. – Ela respondeu.